"O que é que só eu posso resolver, e para quem?"
A moral
Produzir nunca foi tão fácil, por isso produzir já não distingue ninguém. O que distingue é resolver um problema que poucos veem, para pessoas concretas, de uma forma difícil de copiar. A pergunta certa não parte do que se sabe fazer, mas daquilo que só se é capaz de resolver, e para quem.

Origem desta citação
Meu olhar sobre esta citação
José DA COSTA
Esta pergunta nasceu de outra, mais conhecida: fazer algo que as pessoas queiram. É verdade, mas, para mim, incompleta. Na era da IA, essa ordem torna-se mais exigente, não menos. Como produzir se tornou mais fácil para toda a gente, o único terreno onde ainda se pode abrir uma diferença é o da pertinência: compreender uma dor que os outros não viram, responder-lhe antes que se torne evidente, e tornar essa resposta difícil de copiar. O atalho crio uma coisa, só tenho de a vender pega no problema pelo lado errado: parte da oferta e só depois procura a procura. O lado certo começa ao contrário. É por isso que volto sempre a fazer-me esta pergunta: o que é que só eu posso resolver, e para quem? O só eu obriga-me a procurar a minha própria vantagem, aquilo que o meu percurso, os meus erros e as minhas obsessões me deixam ver melhor do que outros. O para quem impede-me de me perder no abstrato e ancora-me em pessoas reais, com uma necessidade real. Enquanto não tiver uma resposta clara a estas duas palavras, sei que ando apenas a agitar-me. Quando a tenho, o resto, construir e vender, torna-se quase secundário.

