"Faz algo que as pessoas queiram."
A moral
A maioria dos projetos não morre por falta de talento ou de meios, mas porque responde a uma necessidade que ninguém tinha. Enquanto um produto não serve um desejo real, poli-lo, financiá-lo ou promovê-lo só adia o veredicto. A primeira pergunta não é como construí-lo, mas quem o quer de facto.
Sobre o autor
Paul Graham
Meu olhar sobre esta citação
José DA COSTA
Esta frase é a divisa da Y Combinator e cabe, em poucas palavras, tudo o que demorei anos a perceber. No início, apaixonava-me pela solução antes de me certificar de que o problema existia. Passava tempo a aperfeiçoar uma funcionalidade elegante, uma arquitetura limpa, uma interface cuidada, para um uso que ninguém pedia. O trabalho era real, o resultado era vazio. Aprendi a inverter a ordem: ouvir primeiro, entregar uma versão mínima, observar se alguém volta a usá-la. O querer é mais difícil de conquistar do que o gostar. As pessoas dizem educadamente que uma ideia é boa, mas só regressam ao que realmente precisam. Desconfio também da leitura preguiçosa desta frase: fazer o que as pessoas querem não significa ceder a cada pedido, nem correr atrás das modas. Trata-se de escavar sob o pedido expresso para alcançar a necessidade real, aquela que o próprio utilizador nem sempre formula. É isso que esta frase me lembra em cada novo projeto: antes de perguntar se sei fazê-lo, tenho de perguntar se alguém, algures, o espera de facto.

